segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O PEIXE MORRE PELA BOCA... E NÃO SÓ!

No passado dia 25 fiz uns quilómetros mas de outra maneira... aproveitei um convite da Correr por Prazer e fui até ao Museu de Serralves tentar percorrer uns Kms sobre o tema "A Arte da Alimentação Saudável e Equilibrada" 
 
 
E a esta altura estão vocês a pensar, que raio foi ele fazer para uma conferência onde se fala mal dos nossos amigos gordinhos? (estou a brincar :) ) Sou franco, fui atraído por um dos temas da conferencia: "A Importância da Alimentação na Preparação de um Ultra Atleta" Tendo como Orador o Ultra Runner Carlos Sá e como Moderador o nosso tantas vezes colega de "pelotão" Dr. Pedro Amorim... Assim sendo, esperei pacientemente ate a abordagem do mesmo.
 
Antes de tudo isso, na receção dos convidados, já me sentia um pouco deslocado ao ver tanto "fato e gravata" e tantos "saltos altos"... e eu de calças de ganga, t-shirt dos Red Hot Chili Peppers e Asics nos pés... ups! Mas entretanto comecei a avistar uns indivíduos da minha "tribo", também ostentando uns poderosos Jeans e umas não menos portentosas "tilhas"... Assim esta melhor :)
 
Antes de chegar ao "prato apetecível", e depois de o Prof. Rui Guimarães (Vice-Presidente da Fundação Serralves) ter dado as boas vindas a plateia e ilustres convidados, foi dada a abertura pelo Prof. Dr. Nuno Borges... e abriu em grande com esta frase: "nos europeus, a má alimentação, o excesso de peso e a obesidade podem ser responsáveis por 8 em cada 10 mortes." 8 EM CADA 10???NÃO É BRINCADEIRA!!! Esta frase é contundente, e espelha bem como a vida super rápida e agitada que levamos, destrói completamente os hábitos e modos saudáveis dos nossos antepassados.
 
  
Esta tema (antepassados) foi também abordado pela Profª Drª Maria Isabel Azevedo, na sua abordagem sobre "A alimentação equilibrada e pausada. A importância do Momento", de onde pude extrair e refletir de facto, como é importante fazer as refeições em família, ter hora marcada, estar reunido, preparar antecipadamente a refeição equilibrada... etc, etc. que hoje em dia é tão menosprezada. Nunca temos tempo para nada, chegamos a casa comemos rapidamente qualquer coisa e vamos para a cama, de manha colocamos um sumo e umas bolachas na lancheira do miúdo, saímos porta fora a pressa e comemos o que nos aparece pela frente, ao almoço saímos do emprego e vamos ao fast-food mais próximo... tudo era facilmente evitável se ouve-se a tal programação, a programação que utilizamos para tudo (ferias, desporto, trabalho...) menos para a alimentação que é tão importante.
 
Ate agora já tinha esquecido o que me tinha trazido a conferencia, tal era a carga da informação tão valiosa que nos era dada, mas que sempre esteve a nossa frente em nossas vidas, e que por uma razão ou outra não quisemos dar-lhe a devida importância.
 
Logo ai surgiu o Carlos Sá acompanhado pelo nosso amigo o Dr Pedro Amorim... e eu ai esfreguei as mãos e suspirei baixinho: "finalmente vou saber o que o Sá mete para aguentar tanto encima das canetas, e assim vou dar uma abada nos meus colegas de pelotão, he, he"... e depois de ter contado as peripécias e aventuras da Badwater, do record do Aconcágua entre outras surge a bomba do dia... O HOMEM NÂO COME NADA A NÃO SER O BIOLOGICAMENTE PRODUZIDO NO SEU QUINTAL, UMAS MASSAS DO SUPERMERCADO E ALGUMAS CARNES DO TALHO... AH, E A NUTRICIONISTA É A SRA. DONA SUA ESPOSA... só pensei numa coisa nesse momento... "ISTO É FABULASTICO!!!"
 
Meteu cerca de 5 géis na Badwater e não mais porque não se sentia bem com eles, preferido o melão, melancia, bananas e a tal canjinha que não pode faltar em qualquer Ultra.
 
E dou comigo a pensar: Inventas-te tanto pobre rapaz... para que? tinhas mas é comido aquelas bifanas e as sandochas de presunto que andavas mais... géis, barritas... dddssss!!!
 
 
Por último, quando me preparava para ir embora, falou uma ilustre convidada a Profª Drª Carla Rêgo, que dada a objetividade do tema, me fez repousar por mais uns minutos os glúteos outra vez na cadeira, A Obesidade Infantil e a Sua Importância na Sociedade e sua Evolução (como papa tinha que ouvir isto),  e fiquei também com umas frases gravadas na memoria, que deixam qualquer pai a pensar:

- 30 em cada 100 crianças tem excesso de peso sem ter patologias associadas que provoquem isso.
- Em números mundiais, 42 milhões de crianças até aos 5 anos apresentam obesidade,
- Nunca se registou tanta "discrepância" no acesso a comida como nos dias de hoje.
- Globesidade = Pandemia
- A Obesidade, e sobretudo a obesidade infantil é uma doença de responsabilidade civil.

Em suma, posso dizer que a evolução pode ser boa em certos casos, mas se regressarmos as origens no que diz respeito a alimentação e aos modos de vida de outrora ganharíamos anos de vida!

Bons Kms!
 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

CORRER EM ESTRADA VS CORRER NA MONTANHA

Quem me conhece sabe que monotonia não é comigo!!!

Desde que as "regras do jogo" se alteraram, depois de uma rotura do ligamento cruzado anterior do joelho direito, pensei que iria ganhar um descaimento dos músculos abdominais e consequente inflamação progressiva dos mesmo de forma irreversível. 

Ao fim de um ano (muito sofrido) e graças a ajuda da família e amigos, la recomecei a minha luta por eliminar esse descaimento muscular. 

Recomecei com o surf por variadas razões, para ganhar confiança na rotação do joelho, caso algo corre-se menos bem o chão sempre seria mais fofinho, e porque o surf alem de ser um maravilhoso desporto é também uma das melhores terapias de enriquecimento espiritual e motivacional que conheço... Nada de errado? podia ficar por aqui!!!... Mas faltava algo, tinha que encontrar outro patamar, não tinha a t-shirt molhada nem as pernas doridas...

E agora, jogar futebol?, Ai o meu joelho!... E Correr?... 

Estava altamente motivado para umas incursões no asfalto por alguns minutos, no inicio pouquíssimos minutos, diminutos mesmo, porque parecia que o meu joelho e pulmões iam arrebentar a qualquer momento. Mas a motivação la estava, e o descaimento dos músculos abdominais também, e isso fazia com que eu persistisse de uma forma sofredora perante o olhar incrédulo da minha mulher e amigos chegados. Ora hoje um pouco de gelo, ora amanha um Voltarem, depois um Relmus, etc, etc... (É impressionante como de vez em quando se apanha uns macaquinhos invisíveis que se agarram aos gémeos, e nem com esta medicação toda eles saltavam fora, mas ouve alguém que me disse que isso era falta de banana...) E no meio de uma muito penosa vitoria pessoal, dei comigo a correr meias maratonas e passado algum tempo (1 ano) a representar as cores da A.D Rio Largo Clube de Espinho, o qual represento até a data.

Já com duas maratonas, 8 meias maratonas, 6 provas de 15kms, provas de 10kms (já lhes perdi a conta) entre outras, apareceu o Trail e o Ultra Trail Running.

Cheio de euforia à flor da pele, e depois de ver os feitos "gloriosos" de outros corredores, queria provar um pouco de essa gloria de ser Ultra Runner.

E nada melhor que o UTSF 70kms... uufff!!!

Claro, falta de experiência (apesar de conviver a muitos anos com a montanha e o Trail Walking) correr, alimentar, e hidratar, não era bem igual... Em suma, uma paragem da digestão aliada aos 42 graus que se faziam sentir levaram-me a arrastar-me ate aos 42 kms e acabou!!! 

Não estou de nada arrependido, pelo contrario, nada melhor que levar com um real "empeno" para ganhar juizo!!!

Também descobri que ser Ultra Trail Runner não é, como muitos queriam fazer passar, uma condição para super mega atletas, esta ao alcance de qualquer corredor que seja mentalmente equilibrado, e que treine adequadamente. As intensidades são diferentes, ritmos diferentes, objetivos diferentes... etc, mas as duas tem uma partida e uma meta, e o instinto de devorar "presas" (adversários/colegas) e chegar mais rápido é igual, apesar que muitos digam que não! é natural.


Este ano já fiz em estrada o Campeonato Nacional de Estrada, Meia de Cortegaça, Meia Sport Zone, Meia de Ovar, entre outras... E na montanha, Sra. da Mó, UTSF (Fail), Trail 4 Caminhos, Trail Capelas Soalhães, Sever do Vouga, GTSA e o Trail do UTAX...


É caso para dizer: "eu tenho dois amores"... que acabam de ser os mesmos, só muda o cenário. 


Agora é tempo de descansar um pouco (também é importante), e programar o próximo ano dentro da mesma linha... FAZER O QUE AINDA FALTA FAZER...

Boas corridas e muitos Kms!






domingo, 20 de outubro de 2013

O (RE)NASCER DE UMA HEROÍNA

Ao bisbilhotar os jornais na web antes de começar mais um dia de trabalho, saltou-me um titulo entre muitos:  "Atleta portuguesa com diabetes participa em maratona nos Estados Unidos"
 
Fiquei logo entusiasmado em saber mais sobre o assunto, por ser "corredor de pelotão" e por conviver de muito perto com esta doença.
 
Tive a oportunidade (e o descaramento) de formular, a esta heroína nacional umas questões, de modo a divulgar o seu feito, e de encorajar muitos outros "doentes" a encontrarem superação no desporto... e  fui bem sucedido :) Leiam e inspirem-se
 
QKMST. Quem é Ana Luísa Vaz ?
 
ANA. Ola, o meu nome é Ana Luísa, tenho 26anos e sou natural de Évora. Sou enfermeira, trabalho na Lilly com programas educacionais na área Diabetes. Sou uma jovem como tantas outras, atleta dizem, e diabética tipo 1 há 15anos.
 
 
 

QKMST. Sabemos que foi-te diagnosticado diabetes aos 11 anos de idade. Como era a tua vida antes do diagnostico e como encaraste a doença com tão pouca idade para "sofrer"?
 
Ser pré-adolescente tem os seus quês, com 11 anos internaram-me depois de me dizerem com um sorriso : Ana, estas assim porque tens diabetes. Mas não te preocupes existem imensos jovens como tu e fazem coisas incríveis! Entre a incredibilidade e negação o tempo foi passando, até entender que não ia passar e tinha que ser assim. Quando me perguntam se aceitei bem a doença digo sempre que sim, e é verdade. Aceitei no sentido de encarar como algo que tinha de ser feiro, que era da minha responsabilidade e como tal, bem cedo cresci. Aliás cresci bem mais rápido que todos os outros. O que mudou?!ter consciência no que se come, fazer insulina, lidar com os valores de glicémia, fazer contas, partilhar responsabilidades de que aquilo que fazemos tem uma consequência e como tal pensar sempre na consequência dos meus atos. E por favor não encarem isso como algo negativo.
 
QKMST. Como nasceu o gosto pelo desporto, e neste caso especial pelo atletismo de fundo?
 
ANA. O gosto pela corrida surgiu há relativamente pouco tempo, o desporto sempre fez parte do meu dia-a-dia. Há quatro anos comecei a correr, primeiro 15 min, meia hora, uma hora, 10km, meias maratonas e o entusiasmo não parava. Comecei a correr diariamente a sentir-me motivada para me superar e por isso estabeleci o objetivo de em 2013 juntamente com o meu parceiro de corrida(namorado) acabar uma maratona. Acabei por fazer não uma, mas duas este ano!

QKMST. Correr uma maratona para um "comum mortal" já é um esforço tremendo (ainda esta latente na memoria o tremendo empeno da minha 1ª maratona). Como é correr uma maratona com um "bichinho" chamado diabetes agarrado ao corpo?
 
ANA. A corrida é um exercício exigente, mas mais do que preparação física necessita muito de uma grande capacidade mental de resistência e resiliência. Para um diabético tipo 1 o exercício deve ser pilar do controlo da doença, contudo é importante que o jovem conheça bem a doença, e compreenda o impacto do exercício na mesma. Em qualquer tipo de exercício a pessoa com diabetes deverá ter em conta os seguintes aspetos: glicémia, dose de insulina, e ingestão de hidratos de carbono. Estes aspetos devem ser trabalhos junto da equipa de saúde que o acompanha para que a pratica de exercício seja um momento de prazer e de melhoria da qualidade de vida. Da pratica de exercício para a própria maratona existe aqui toda uma aprendizagem sobre a doença e sobre o seu controlo. Tendo em conta a duração da prova, é importante que a pessoa estabeleça objetivos glicémicos antes, durante e depois da mesma para que a prova seja o mais controlada possível. Ao longo da maratona existe a necessidade de comer(gel, barras, sumos, bebidas isotónicas) fazer reposição de hidrato de carbono para que não surjam hipoglicemias e claro fazer insulina.

QKMST. Com certeza deves ter amigos corredores que treinam contigo. Em que difere a tua preparação para um treino ou corrida em comparação com eles?
 
ANA. Correr e ser diabética tem todas as particularidades que já referi anteriormente. Contudo corro tão bem ou melhor que outros jovens. Os meus treinos são realizados com o meu namorado ( que não e diabético) e são orientados por um professor (que pouco ou nada percebe de diabetes). Claro que comigo é diferente, tenho de ter atenção inúmeros fatores que os outros não tem, tenho de estar sempre alerta, despistar qualquer sinal de hipoglicemia, de comer mesmo quando não quero ou até mesmo parar quando é necessário. Tudo o resto passa da mesma forma, a preparação para as provas requer esforço, dedicação e empenho....tal como qualquer atleta.
 
QKMST. Sentes-te "inferiorizada" pelo facto de teres diabetes ou, por outro lado, dá-te mais prazer ultrapassares desafios como este com uma "desvantagem" mesmo antes de começar?
 
ANA. Não sinto qualquer desvantagem. Corro porque gosto e porque me sinto realizada, não sinto que a Diabetes me tenha subvalorizado em nada.

QKMST. A Maratona Medtronic Global Heroes é uma prova para atletas portadores de dispositivos médicos para colmatar problemas de doenças cronicas. Fala-nos desse teu dispositivo, melhorou a tua qualidade de vida?
 
ANA. Tenho uma bomba de insulina há quatro anos .A bomba de insulina ajudou-me muito a personalizar tratamento da doença, conseguindo melhorar os meus valores de hbgA1c (Hemoglobina Glicosilada), mas principalmente ajudou-me a adaptar o tratamento ao meus estilo de vida, dando maior liberdade, ajudando-me no dia-a-dia.
 
QKMST. Numa frase descreve a tua experiência na Medtronic Global Heroes?
 
ANA. Esta iniciativa pretende reconhecer que existem heróis que apesar da sua condição crónica não desistem dos seus sonhos. E este reconhecimento como uma heroína foi importante para mim pois é gratificante poder mostrar aos pais, aos jovens e crianças que eu não devem parar de seguir os seus sonhos, de a acreditar em si e se superar.

QKMST. Qual foi a sensação de cruzar a meta após 42,195 km e 3h32min?
 
ANA. Esta prova foi repleta de emoções, os 42,195 km são o colmatar desse mesmo sentimento. Ao longo da prova e por estar devidamente identificada, senti muito apoio por parte das pessoas e dos próprios atletas com quem me cruzei. Acho que é indescritível tudo que se sente durante a corrida. A nível pessoal senti-me muito feliz por ter terminado mais uma maratona e também por ter conseguido bater o meu recorde pessoal, ganhando cerca de 10 min da maratona anterior.
 
QKMST. Podes dar alguns conselhos aos milhares de doentes crónicos portugueses que se refugiam na doença para deixar passar experiências inesquecíveis que só o desporto nos pode dar?

ANA.  A mensagem que gostaria de passar é a mesma que me foi passada pouco depois do meu diagnóstico, a doença não nos impede de perseguir os nossos sonhos. O importante realmente é aprendermos ao longo da vida como podemos concretiza-los e principalmente acreditarmos em nos mesmos, não desistir...porque afinal os heróis são comuns mortais que continuam perante as adversidade. A diabetes tal como a vida é uma constante aprendizagem e é fundamental que nos recriemos todos os dias.
 
QKMST. Quantos kms tens Ana, e quantos mais tencionas fazer?
 
ANA. Quantos klm, muitosss :)) o objetivo será uma maratona por ano, Paris será a próxima e quem sabe mais tarde (talvez) uma ultra.
 
 
Obrigado Ana, e boas corridas!!!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

RETROSPETIVA QUILOMÉTRICA



Por vezes dou comigo a pensar o que me leva a andar feito tolinho monte acima, estrada abaixo, ora correndo, ora caminhando, talvez a chuva ou com um calor de rachar, com vento ou com neve, com agua até ao pescoço ou sem uma gota para beber, 
 

Dormindo ao relento ou em tendas, sem quartos de banho nem chuveiros de agua quente para uma boa banhoca,

   

 
 

Sem ver civilização a distancia de um olhar, sem carros, sem comodidades, regredindo na evolução ilógica do "mundo perfeito" por nos criado,


 


Sem rede, sem Wi-Fi, sem Facebook, sem Multibanco,  sem hipermercados... E no fim do pensamento, quando todo o filme acaba digo: "Graças a Deus que sou assim!"  



Não teria vivido as experiências mais inesquecíveis da minha vida, nem teria questionado tantas vezes a razão de viver e de valorizar isso mesmo, não tentaria "tentado" deixar um pouco melhor o mundo, nem me teria posto tantas vezes a prova para tentar encontrar algo, que ainda não sei bem o que é, e que espero que tarde em encontrar... 

 

E o melhor de tudo isto, é saber que há muitas pessoas que procuram o mesmo... não falam disso, mas sente-se a distancia, perfeitamente, como se fosse um perfume mas sem cheiro, um perfume só de sentimentos...

No fim de ler isto, pensei em ir consultar um Psiquiatra, mas penso que ainda vou viver mais um pouco neste estado de "loucura" e depois, mais tarde, talvez pense nisso... 


ESTAR ATENTO AOS SINAIS DO "CAMIN(H)O"

Há coisas que nos marcam para uma vida e pessoas que são colocadas no nosso "camin(h)o" por alguma razão, e esta vai ficar-me na memoria... 
Depois de ter acabado a Meia Maratona de Ovar com muito sofrimento a mistura, porque tinha corrido a umas horas atrás a Corrida do Parque a Noite (Parque da Cidade - Porto)  e no fim de semana anterior ter concluído o Grande Trail da Serra d'Arga, fui a um café para repor os líquidos ricos em cevada que tinha perdido no esforço de concluir a corrida, e tive a sorte e o prazer de oferecer uma "mini" e trocar umas palavras com este homem que carrega uma mochila com metade do seu tamanho e percorreu meio mundo para apagar uma "dor tremenda", 9 anos a caminhar (peregrinando ou não!?!?) 37000€ no bolso (que já esgotaram) e um olhar ainda com muita dor, mas com muita coisa para contar... 
A sua viagem começa depois da sua embarcação "Revolución", (um barco Bacalhoeiro) se ter afundado nas águas furiosas e gélidas da Noruega, não resistiu as ondas de 15 metros e naufragou ao largo do Cabo Norte. Prometeu à Virgem de Cármen, que se sai-se vivo, iria viajar por todas os caminhos do mundo em peregrinação e visitar os maiores santuários do mundo cristão. Sobreviveu agarrado a dois corpos de colegas que não tiveram a mesma "sorte", cerca de 9 horas! e foi salvo por um helicóptero. 
Como consequência do fatal acidente esteve 8 meses numa câmara hiperbárica, devido as queimaduras de congelamento que causou nas extremidades do seu corpo, passou um ano de cadeira de rodas e mais uns meses de muletas, depois de um medico lhe ter dito que provavelmente não iria voltar a caminhar.
97 mil Kms, 43 pares de botas, 63 anos, muitas rugas esculpidas pelos ventos de 4 continentes percorridos (esteve com João Paulo II e com o Dalai Lama), nascido em Cadiz cidade de Puerto de Santamaría José António García Calvo,anda agora feliz porque esta perto de casa!
Ontem estava na zona de Ovar, vai fazer o caminho até Fátima seguindo os "PR" (pequenas rotas) pela costa, e depois segue para Sagres e finalmente para casa, Cadiz, para se encontrar com a filha e netos que não vê a 9 anos. Amigos, se por acaso se cruzarem com esta alma, ajudem a carregar um pouco desta magoa e façam-lhe companhia. "bon camino" Pepe!
 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

CAROS LEITORES!

Este vai ser um blog dedicado exclusivamente a vida dos comuns Aventureiros Inconformados Mortais, que gostam tanto o mais do que eu de viver a procura do que nos falta, (não sabendo bem o que) em plena harmonia com a natureza.

E perguntam voces: E por que este titulo para o BLOG???

É fácil! para quem é Aventureiro e Inconformado, a vida é feita de procura constante, novos desafios, ir um bocado mais alem, ir a procura do que falta para apaziguar a nossa alma, para repor o equilibrio emocional do nosso corpo... e não conheço nada melhor do que a Mãe Natureza para nos dar essa harmonia.

E continuam voces a perguntar: Sim, mas que têm a ver os KMS com tudo isto?

Simples! Como seres inconformados que somos, (nunca estamos bem com a vida que temos) "corremos" literalmente a procura de essa satisfação, e é ai que tudo começa e se inicia, nessa correria, nessas caminhadas, cavalgadas, braçadas, etc, etc. E com esse intuito nos debruçaremos neste blog. 

Vou tentar compilar as minhas aventuras  e as aventuras de todos que sintam que merecem devido a sua dedicação, não esquecendo a Natureza.

E já agora quantos kms tens hoje?